O construtor de pontes: uma carta de Markus Zusak

Há mais de duas décadas, quando ainda tinha 19 ou 20 anos (olha eu revelando minha idade!), surgiu esta ideia: um garoto que construía uma ponte e que se chamava Clayton. Na mesma hora, imaginei uma ponte feita de pedra, ou madeira, mas, principalmente, feita dele, do próprio Clay. O restante do livro, seu universo, levou um bom tempo para tomar forma. Até que, finalmente, eu tinha o que queria: cinco irmãos. Os pais. Cinco animais de estimação. E Clay como o centro de tudo isso.

Acho que é fácil um escritor se empolgar com as cenas mais intensas; o mais difícil são as cenas necessárias: aquelas que nos levam à essência do livro. De certa forma, qualquer um é capaz de escrever os momentos principais da história, mas as partes que acabam nem entrando na versão final, essas são as mais complicadas. Elas formam as bases do livro e ajudam tanto o escritor quanto o leitor a conhecer os personagens e o universo da obra. No entanto, são cenas complicadíssimas. E é tão difícil descartá-las. Ninguém vai chegar a vê-las.

Por um lado, sinto que O construtor de pontes reúne meus livros anteriores em um só, mas também segue um caminho próprio. Após A menina que roubava livros, eu queria continuar sonhando alto, sem perder a ambição. Queria escrever outro livro que significasse tudo para mim, e agora, depois de treze anos, sinto que consegui. Hoje, vejo que O construtor de pontes é um livro diferente, porque exige mais do leitor, mas espero que, em troca, também seja ainda mais enriquecedor.

O construtor de pontes será o livro da nossa caixa de dezembro.

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